Seguro ilegal na mira dos corretores. - Canizo & Silva
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Seguro ilegal na mira dos corretores.

A atuação das associações e cooperativas no mercado é um dos temas que mais desperta interesse entre os corretores de seguros, uma vez que denigrem a imagem do setor e prejudicam diretamente seu negócio.

O presidente da Fenacor, Armando Vergilio, disse que o caminho para combater as associações e cooperativas que atuam irregularmente no mercado de seguros é através da polícia, porque é um mercado marginal e criminoso. “Não temos agido de forma correta. É fácil cobrar uma atitude mais firme do sindicato, mas vale lembrar que todo mundo já comprou alguma coisa pirata. O brasileiro adora isso”, justificou. Atualmente, existe 138 investigações sobre estas entidades.

“Chamar de pirata leva o público a este tipo de consumo. Mal sabe o consumidor que estas instituições vão anoitecer mas não amanhecer. Essa é a primeira crítica que faço a todos nós: assim colaboramos para a divulgação disso”, pontuou Vergilio, acrescentando que o que era ruim, piorou, porque a Susep está fazendo propaganda contra o seguro informal. “Mas ‘informal’ é uma palavra bem aceita pelo público, e ainda é assinada por apenas uma seguradora. É uma relação que merece uma análise mais profunda do ponto de vista ético. Estamos colaborando para piorar este cenário”, lamentou o presidente da Fenacor.

Ele enfatizou que trata-se de um crime, que deve ser tratado como tal. “Nosso papel é denunciar à polícia, ao Ministério Público e à Susep, que não pode atuar porque estas não sao entidades supervisionadas, mas ela pode constatar que está havendo uma atuação irregular”, explicou Vergilio.

Auri Bertelli, presidente do Sincor-SC, disse que é necessário que a grande mídia tenha aderência à campanha. “Eles agora já passaram da fase de vender apenas seguros para caminhões e táxis e avançam para produtos como automóveis e residências”, avisou.

Para mostrar a posição das seguradoras, o diretor executivo da HDI, Murilo Riedel, diretor da HDI Seguros, alertou que a atividade das cooperativas é picaretagem pura, estelionato. “Do nosso lado, não reconhecemos a atividade das associações e cooperativas. Mas temos que entender porque a atividade existe. Qual espaço que demos para que a atividade nascesse? Sabemos das dificuldades que o segmento de caminhões enfrenta, pela simples razão de que os corretores e seguradores não estão fazendo a sua parte. Nos seguros de caminhões e cargas, eles custam caro porque o risco é alto e a margem neste produto é apertada”, explicou.

A garantia oferecida pelas associações não se compara a das seguradoras. “Porém, nós não conseguimos mudar o comportamento dos riscos da maior experiência matemática da ocorrência de sinistros. A frequência de sinistro não acontece pelo acaso, mas pela qualidade de treinamento do motorista, pela manutenção dos veículos e a qualidade da malha viária, tudo isso se reflete na sinistralidade. 98% dos sinistros que passam pela minha mesa são os que envolvem falhas dos motoristas. O preço poderia ser menor se a seguradora conseguisse fechar a conta da capacidade de seu fundo e fazer o pagamento de todos. Ela precisa, também, gerar resultados para os acionistas. Com tudo isso, o consumidor acaba indo pelo caminho mais fácil, o das associações e cooperativas”, avaliou Riedel.

“Corrente da Felicidade é o verdadeiro nome desta atividade”, disse o advogado Antonio Penteado Mendonça sobre o seguro irregular, no 3º EcosegSC. Já há decisão em primeira instância a favor do seguro pirata. “Vai ter gente que não vai receber a indenização porque vai acabar a bola de neve”, alertou.

O advogado disse que existem três mercados no mundo que são regulados: financeiro, mercado de valores e de seguros. As empresas que operam nestes mercados são fortemente reguladas porque o ser humano não consegue resistir a algumas tentações.

Fica evidente que o brasileiro não conhece seguro, uma parte porque não tema acesso (nem dinheiro, até para a comida). “Se colocar o microsseguro no cartão do bolsa-família, com cobertura de R$ 15 mil para morte e residência, o custo seria pequeno para o Governo e teríamos 100 milhões de pessoas cobertas”, exemplificou Mendonça.

Ele também provocou as companhias de seguro brasileiras, dizendo que elas só gostam de dar cobertura a riscos pequenos. “Se formos para a Europa, veremos que por ano a Allianz paga 7 bilhões de euros em consequência das enchentes de verão. Nos EUA, duas torres do World Trade Center, mais sete prédios, custaram 40 bilhões de dólares em indenizações de seguros. Na serra carioca, há alguns anos, até hoje não se conseguiu reconstruir ou tirar as pessoas dos abrigos provisórios. Se em outros países estes riscos tem cobertura, o Brasil só não tem porque as companhias brasileiras não querem negociar isso com as resseguradoras delas”, instigou o advogado.

Quando o IRB tinha o monopólio, não havia risco declinável no seguro. Em algum lugar está faltando conversa, porque não existe risco ruim, existe risco mal precificado. “Por que então fábricas e supermercados não têm seguros independente das acões que eles tomem para proteger os riscos. Não sei como as cooperativas ainda não entraram neste tipo de risco. Falta uma ação mais pró-ativa das seguradoras brasileiras para aceitar risco e para cotar seguros”, questionou Mendonça.

A conclusão dos membros deste painel é que é necessário sufocar a ação destas entidades, como denúncias para a Polícia Federal, Secretarias de Fazenda de Municípios e Estados e Ministério Público. Também seria muito bem vinda uma campanha institucional coordenada pela CNseg, Fenacor e Funenseg para mostrar ao consumidor o que é o seguro, como ele funciona, seu lado social e a sua finalidade.

Fonte: Revista Apólice | Por: Kelly Lubiato, de Joinville

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